quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um nome faz o homem, e uma poodle


O veterinário Ricardo me emprestou um livro que vai me ensinar muito sobre minha amiga Malu. Logo de cara diz que nome do cão revela muito sobre sua personalidade que é muito influenciada pelos donos. Um cachorro chamado Sadam ou Killer, já se imagina o que fizeram do animal. Mas quando ele tem um nome próprio de alguém estimado isto indica que é considerado membro da família e que se espera dele ou dela um comportamento que nos lembre o "homenageado". Me parece que o nome da poodle bem negra foi dado por minha neta Pâmela e passei a lidar com Malu como se fosse aquela personagem da TV, independente e com vontade própria.

Limpando tártaros


Malu já está com seis anos e meio. Infelizmente já é uma fêmea de meia idade. Como mastiga ossos profiláticos e come boas rações só agora o veterinário Ricardo procedeu a retirada de tártaros. Na véspera, comentando com uma vizinha, Lili ouviu diversos casos escabrosos envolvendo este procedimento. Assim, quando sai com Malu ouvi repetidas recomendações de não abandonar o lado dela por motivo algum, nem ficar desatento lendo algum livro. "Não deixe maltratar a minha Malu". A coisa estava neste pé. Mas o experiente profissional e esforçado ciclista de mountain bike, como eu, acalmou a paciente e aplicou as injeções anestésicas junto com o soro. Logo a ansiosa Malu dormia profundamente e o doutor usava os sempre amedrontadores ferros de boticário para deixar os belos dentes caninos bem brancos. A menina, já acordada, precisou sair no colo pois não se aguentava nas pernas. Passou o dia todo dormindo e acordando irritada com qualquer barulho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Modelito básico



Andar vestida é uma marca da Malu. Às vezes alguma bisbilhoteira sisma de dar opinião: pobresinha, vestida com um calor desses! Malu, na rua, está sempre vestida. No frio com uma roupa de tecido mais quente, no verão com uma bem leve. Ela é tremendamente ciumenta com seus modelitos. Tente tirá-lo dela! Em casa, nestes dias de canícula (sem trodilho, por favor), na frente do ventilador, ela fica pelada (com trocadilho, por favor). Mas diga com sinceridade, ela não fica bonita de roupinha?!

Caçando Calango



O calango, gosta de tomar sol nas pedras. Réptil, não possuíndo um sistema regulador de aquecimento corporal precisa lagartear na solina destas tardes quentes. É em entardeceres assim que Malu sai na rua toda feliz. Dá uma rápida olhada para trás se certificando de que estou na cola dela e bate perninhas para a igreja. Chegando lá procura os calangos com toda determinação. Quando se depara com algum os dois partem em desabalada carreira. Ele entra na primeira fresta que encontra, e ela, depois de ficar vigiando a toca por alguns instantes, sai procurando outros calangos. Esta é uma das diversões da Malu.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um olfato apurado


Temos cinco sentidos e os usamos equilibradamente, mas a poodle Malu, como os de sua espécie, incrementaram o olfato. Quando ela para, aproxima o focinho de um ponto qualquer e cheira, não percebe só se é urina ou carne ou uma reles banana. Ela consegue identificar num poste cinco ou seis cheiros diferentes de urina. Se já cheirou e viu quem fez a urina, isto está gravado no seu cérebro e quando ela inspira aqueles diversos odores se está ali no meio o de um cão conhecido, como Pituti, Kenso ou “cachorro amarelo” ela pode vê-lo na imaginação, tal qual ele estivesse ali. Não é coisa fácil para o inteligente ser humano, inclusive eu. Uma vez visitando o amigo Gerson que faz terapia holística ele me colocou num canto de seu sítio com o chão coberto de pedras redondinhas de rio e, em toda volta, estantes com vasos de ervas. Pediu para arrancar uma folha, esmagar entre os dedos e cheirar profundamente. Não é que me veio a mente cheiros da infância e junto com eles emoções que senti na época. Ah se a gente tivesse mais tempo para se entender melhor ao invés de só ajuntar coisas e participar das obrigações da sociedade!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Malu, a buguesinha


Malu é uma poodle burguesa. Quero dizer que ela cultiva hábitos, gosta de seguir os mesmos caminhos e de manter opiniões. Por exemplo, o cachorro todo arrepiado que mora duas ruas abaixo é um brigão e só serve para quebrar pau, nunca será um amigo tranquilo. Não quer dizer com isto que não seja curiosa, seja apática e não queira descobrir coisas novas. Ela não pode ver um portão aberto que não entre atenta, observadora, mas sempre me olhando de soslaio pedindo para avisá-la de algum perigo, afinal sou mais alto posso ver mais coisas. Então, lá vai ela, cheirando tudo olhando cada detalhe, mas evitando mudanças de opinião. É uma burguesa.

Sempre vigilante


Ela tem o porte natural dos cães de sua raça. Em especial quando para de andar investigando alguma coisa. Ergue a cabeça olhando de cima o que quer que lhe tenha chamado a atenção e levanta o focinho fino empinando o rabo curto. Às vezes não vejo o que lhe chamou atenção, procuro detidamente um cachorro ou uma pessoa e nada. Depois de ficar assim, tensa, ela volta o rosto para mim e seus olhos da cor do mel parecem me dizer: fique tranquilo, já passou, podemos ir. E anda cheirando tudo, se certificando de que é feito o objeto, quem passou ali deixando seu aroma, se já sentiu aquele cheiro ou é novidade. Andar com Malu tem muita graça quando se está atento a suas reações. Todos os institutos de uma caçadora de pássaros.