Como uma cabeça tão pequena consegue guardar tantas informações? É o que penso vendo Malu andando apressada na minha frente sempre reta e direta pela calçada. Grito para ela tomar cuidado com os carros quando vai chegando na esquina, mas ela dobra junto ao muro e segue determinada. Aonde ela está indo? Vai ver se encontra um calango no jardim de uma casa que não tem muro na frente. Chego em tempo de vê-la voltar para a rua meio desapontada. Mas não desiste, anda rápida para a esquina e continua pela calçada para verificar outra casa sem moradores, com placa de aluga-se. Ajudo-a levantando a tampa de passagem de águas da chuva de onde, de outra vez saiu um calango desembestado. Nada desta vez. Chamo-a para voltar para casa e ela obedece meio a contragosto, não sem subir todas as escadas e rampas das lojas e prédios comerciais que passamos a caminho da nossa rua. Em todas as travessas do bairro ela lembra onde moram cachorros que ela gosta ou detesta. Para em frente as casas e fica olhando até que digo: "ele saiu Malu" ou "ele tá dormindo". Algumas vezes a razão da ausência é mais trágica. Vendo um vizinho perguntei: cadê seu cão? Ao que ele respondeu: morreu. Não digo isto a ela e nem sei se ela sabe o que é morte, mas por muito tempo ainda ela vai parar naquele portão esperando um pouco para ver se ele aparece. A memória dela é muito boa. Malu é uma companhia muito divertida e obediente, e que Deus a conserve nos dando prazer por bastante tempo ainda.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Coloque-se no lugar do cão
Apareceu assim, de repente, um tumor junto do rabinho de Malu. Foi eu chegar em casa e Lili me mandar dar meia volta e correr com ela para o Dr Ricardo, o veloz ciclista dos entornos da cidade. Com sua prática ele foi logo atestando a inflamação em uma glândula. Como num passe de mágica apareceu o bisture numa mão e a seringa com anestesia na outra e zás-trás, Malu ficou com uma flor aberta perto anus. Eliminado o pús, limpo o local, sentou-se à mesa e aviou a receita com uma cópia para o antibiótico em spray. Lili perguntou meio assustada com a eficiência, a prática e a ligeireza do veterinário.
- Vai ficar aberto assim? Não vai botar um curativo, não?
- Daqui a pouco ele se fecha sozinho. Espirrem logo o sprey. Dê a ela algumas gotas de Novalgina também.
A maior interessada estava bêbada em cima da mesa de operações e eu abraçado com ela. Foi quando eu, cretino, falei: cachorro é muito forte, aguenta bem a dor. Pra quê! O cirurgião impassível transmudou-se diante de nossos olhos e com voz de falcão irritado, perguntou:
- Sabe como se reconhece quanta dor um cão está sentindo?
Balancei a cabeça preenchendo rapidamente o cheque e antecipando a paulada para curar insensibilidade humana.
- Colocando-se no lugar dele!
E arrancou o cheque de minha mão. E, de novo calmo, me convidou para uma pedalada com o professor Roberto nos morros da estrada do Contorno.
Malu estava mole no meu colo. Comprei os remédios, aplicamos direitinho e ela está nova em folha. Para não lamber o remédio, está usando umas calcinhas lindas que foram da Lívia quando bebê e ela nem tinha chegado neste nundo. Minha Malu.
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