Como uma cabeça tão pequena consegue guardar tantas informações? É o que penso vendo Malu andando apressada na minha frente sempre reta e direta pela calçada. Grito para ela tomar cuidado com os carros quando vai chegando na esquina, mas ela dobra junto ao muro e segue determinada. Aonde ela está indo? Vai ver se encontra um calango no jardim de uma casa que não tem muro na frente. Chego em tempo de vê-la voltar para a rua meio desapontada. Mas não desiste, anda rápida para a esquina e continua pela calçada para verificar outra casa sem moradores, com placa de aluga-se. Ajudo-a levantando a tampa de passagem de águas da chuva de onde, de outra vez saiu um calango desembestado. Nada desta vez. Chamo-a para voltar para casa e ela obedece meio a contragosto, não sem subir todas as escadas e rampas das lojas e prédios comerciais que passamos a caminho da nossa rua. Em todas as travessas do bairro ela lembra onde moram cachorros que ela gosta ou detesta. Para em frente as casas e fica olhando até que digo: "ele saiu Malu" ou "ele tá dormindo". Algumas vezes a razão da ausência é mais trágica. Vendo um vizinho perguntei: cadê seu cão? Ao que ele respondeu: morreu. Não digo isto a ela e nem sei se ela sabe o que é morte, mas por muito tempo ainda ela vai parar naquele portão esperando um pouco para ver se ele aparece. A memória dela é muito boa. Malu é uma companhia muito divertida e obediente, e que Deus a conserve nos dando prazer por bastante tempo ainda.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
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