terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

De nariz empinado


Malu vai tosar o pelo esta semana. Ela está cheínha e o pelo alto faz com que ela sofra com esse calor. Então, ela fará o corte característico de poodle: pelagem quase na pele, com pompons nas patas e rabinho e o topetinho. Em casa todos a preferem com pelo cheio ao corte com pompons. 

Eu gosto de vê-la ora de um jeito ora de outro. Como andamos muito tempo juntos noto uma mudança no compotamento dela como se o pelo redondo a tornasse mais moleca enquanto o corte poodle a fizesse mais lady, mais recatada e esnobe. Como se fosse verdade o ditado: o hábito faz a monja. 
Assim, ela vai ficar mais a fresca neste resto de verão e no inverno põe-se encapotada. O que equivale dizer que vai andar metidona agora e endiabrada quando vier o frio. Mas uma coisa ela mantêm sempre em seu caráter, o nariz empinado.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Sol está vindo


Nestes inícios de manhãs, nos quais o adiantado horário de verão dá uma cor escura, saio lembrando a Malu que os cachorros ainda estão "tudo dormindo". É que ela faz aquelas paradas nos portões esperando ver: ora o malhado que fica correndo exitado de uma ponta a outra da grade ora o cachorro brigão, já velhinho, que também corre de lá pra cá junto com ela, os dois latindo doidamente. É, ainda está escuro e os donos não os liberaram para ver a rua. Então encho a bola dela: é só Malu que sai cedinho para a rua, os cachorros tão tudo na caminha.
Tem estudiosos do comportamento canino que dizem que estamos falando com a gente mesmo, o cão não entende nada. Discordo! Ela sabe que a palavra Malu é ela mesma; compreende o que é rua, cachorro e caminha. Mas o principal é o afago das palavras. Ela sabe que estou falando com ela, que meu tempo naqueles momentos em que caminhamos juntos é dela.
"Bobagem! Você está 'viajando'".
Ah é, então fica só vendo o que acontece quando caio na besteira de falar ao celular! Ela me olha contrariada e, até então andando sempre ao meu lado, sai andando sozinha e se distância. Tenho de desligar o telefone, correr atrás dela falando: pronto Malu, oh, acabou. Então ela para, me espera e retornamos a caminhada, eu conversando só com ela.
Por esta hora desencontrada o Sol começa a dar sinais de que está vindo e trazendo o dia. O céu se tinge de cores indescritíveis enquanto voltamos para casa.   

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sou um Zé Mané, mas sou dono de Malu

Sabe aquela frase repetida por Dino em todos os programas: "querida cheguei!"? Ela sintetiza nossa necessidade absurda de aceitação, de ser querido e estimado. E é exatamente isto que recebo com fartura de Malu, que como membro mais novo da família jamais demonstra que Adal "não é mamãe!".
Ontem, chegando em casa depois de um dia de 10 horas de trabalho vejo do outro lado da avenida Lili passeando com Malu. Elas só passeiam com coleira, graças a Deus, se não Malu atravessaria a rua voando. Nos vimos ao mesmo tempo e num pequeno instante ela parou estatelada me olhando com as pernas dianteiras mais separadas pela tensão do encontro. Ato contínuo levantou a cabeça encarando Lili doida pra falar: A lá! É Adal! Ele chegou! E puxou tentando correr pra mim.
Ei, cara, não chora não! Ficou emocionado? Esta é Malu, e sua atitude é a de todo cão que encontra um ser humano que gosta dele, supre suas necessidades e gasta tempo com ele. Isto se repete desde que aquele Zé antigo, há 70 mil anos, jogou um osso para a loba que lhe rondava a habitação, depois a chamou para acompanhá-lo na caçada e lá adiante falou com ela: vai, toca aquele gamo pra cá, vai! Aquela loba bem podia ter se chamado Malu e era mais feliz que a minha porque aquele Zé quando saia para seu trabalho não pegava ônibus e assim a loba podia andar colada aos seus pés, o tempo todo olhando para ele, aquele humano Zé Mané, como se fosse um rei, o rei da criação, o seu dono.