Sabe aquela frase repetida por Dino em todos os programas: "querida cheguei!"? Ela sintetiza nossa necessidade absurda de aceitação, de ser querido e estimado. E é exatamente isto que recebo com fartura de Malu, que como membro mais novo da família jamais demonstra que Adal "não é mamãe!".
Ontem, chegando em casa depois de um dia de 10 horas de trabalho vejo do outro lado da avenida Lili passeando com Malu. Elas só passeiam com coleira, graças a Deus, se não Malu atravessaria a rua voando. Nos vimos ao mesmo tempo e num pequeno instante ela parou estatelada me olhando com as pernas dianteiras mais separadas pela tensão do encontro. Ato contínuo levantou a cabeça encarando Lili doida pra falar: A lá! É Adal! Ele chegou! E puxou tentando correr pra mim.
Ei, cara, não chora não! Ficou emocionado? Esta é Malu, e sua atitude é a de todo cão que encontra um ser humano que gosta dele, supre suas necessidades e gasta tempo com ele. Isto se repete desde que aquele Zé antigo, há 70 mil anos, jogou um osso para a loba que lhe rondava a habitação, depois a chamou para acompanhá-lo na caçada e lá adiante falou com ela: vai, toca aquele gamo pra cá, vai! Aquela loba bem podia ter se chamado Malu e era mais feliz que a minha porque aquele Zé quando saia para seu trabalho não pegava ônibus e assim a loba podia andar colada aos seus pés, o tempo todo olhando para ele, aquele humano Zé Mané, como se fosse um rei, o rei da criação, o seu dono.


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