Malu, minha poodle, só sai na rua uma vez ao dia, rodeia uma
quadra – ou nem isso – e quer voltar, cansada. O cão é uma companhia
maravilhosa para o homem porque além de tudo nos ensina a brevidade da vida. Há
onze anos ela chegou, uma bolinha preta da cor do jamelão, e logo era uma
garota espoleta que me dava trabalho quando saímos. Corria atrás dos passarinhos
e se distraia tentando pegar os pombos. Depois, se tornou uma fêmea séria que
olhava os pássaros com desinteresse e não levava desaforo pra casa. Agora é uma
senhora com problemas nas cartilagens que vai passear de má vontade.
Assisti a tudo isso se desenrolar nesses poucos anos. Foi como um filme da minha vida
passado seis vezes a velocidade normal. Como veio a existir esse tipo de
animal que se encaixa tanto em nossas necessidades humanas?
Os evolucionistas e o criacionistas – estes muito a
contragosto – sabem que todos os seres se procriam segundo o código DNA. Não há
um DNA para o cão e outro diferente para nós. Todas as espécies tem uma base comum
de DNA ao qual se acrescentaram as especificidades de sua estirpe. Nos
primeiros anos da teoria da evolução os estudiosos diziam que as espécies se
formaram por mutações aleatórias. É como dizer que um cão foi o resultado de um
ato fortuito. Depois, perceberam que não podia ser assim, e falaram que havia a
necessidade. Era ela que levava um ser a buscar e conseguir mudanças para
ocupar um espaço vazio. Os criacionistas não assistiam a tudo isso
despreocupados. Também se deram conta de que as espécies precisavam ser
explicadas. Disseram, então, que no mundo do Criador ele molda um ser que é
necessário existir e essa Palavra faz que o DNA de um animal comece a ser
acrescido de novos genes para formar o bicho que faltava. Há outras explicações.
Acredito que haja um plano universal por trás de tudo,
inclusive que nos deu Malu.

