quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Proprietários de cães


Um estudo do Pet Food Institute classificou os proprietários de cães em cinco tipos. Companhia, aquele que considera o animal como fonte de amizade e afeição, estes são 27%, e lhes dão nomes humanos e os alimentam com ração premium. Despreocupados, não gastam tempo com seu animal, nem lhe dão controle e o deixa vadiar na rua; são 24%. Objetos, para estes o cão é uma extensão de si mesmo, não admitem castração, lhes dão nomes como Killer e Garra e não têm cuidados psicológicos com eles; são 19% e tanto podem ser donos de um afghan hound ou de um pit bull. Insatisfeitos (19%), ganharam de presente ou compraram o animal por insistência dos filhos que logo perderam o interesse; não amam o animal e por isto tudo lhes incomoda e qualquer gasto é um absurdo. Entusiasta, apreciam o bicho de estimação e sua companhia, mas não gastam tempo com ele nem se preocupam com seu estado emocional. Do livro Comportamento Canino.
Bem, Malu é parte de nossa família. Tiramos tempo para passear na rua com ela, para jogar seus brinquedos como “Nenzinha bonita” e “Coelho lherudo”e jogar footbol, que para ela é o “bola gol”. E claro estamos sempre de olho em sua saúde física e quaisquer abatimento ou mudança de atitude que demonstre problema emocional. Somos assim, meu irmão eu não sei.

Comportamentos indesejados


“Os tipos de problemas comportamentais e o seu grau de severidade variam enormemente. Em geral, as insatisfações dos proprietários de animais de estimação são classificados de incômodos em vez de problemas sérios ou perigosos”, diz o veterináçrio Bonnie V. Beaver. Malu teve seus problemas de comportamento até um ano de idade. Mordia sapatos, estragou uma sandália novinha e cara de Pâmela, e urinava e defecava fora do “jornal” me dando um trabalho tremendo para limpar carpete e tapete, mas isto passou. Sempre entendi que era uma fase do aprendizado dela e todos da casa estavam empenhados em criar hábitos corretos nela. Hoje, fêmea de seis anos e meio, ela ultrapassou aqueles problemas, mas criou alguns comportamentos que deixa Lili muito preocupada.
“Os comportamentos sexuais parecem ser os mais difíceis para os proprietários discutirem”. É isto, Malu pegou a mania de lamber a vulva e, talvez, o anus, isto deixa Lili nervosa com a possibilidade dela estar infestada de vermes. Mas ela é vermifugada regularmente. Este e outros comportamentos são as causas da maioria dos abandonos de cães por seus proprietários. Então, quando voltar ao veterinário vou tratar com ele sobre uma solução deste comportamento. Nosso melhor amigo também tem problemas psicológicos e temos de ter paciência com ele.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Malu e o gato


Desde eras remotas os mamíferos Feloidea e Canoidea se estranham. Não se caçam, mas quando se encontram reagem com uma enorme antipatia. Assim é Malu com os gatos. Quando estamos passeando e ela encontra um deles debaixo de um carro ou no jardim de uma casa perto da grade ela para atenta, fremindo de ansiedade. Não é uma ave que instintivamente ela gosta de caçar, nem um brinquedo de pegar como um calango, muito menos outro cachorro que ela ataca para defender seu território, é um gato. Não tem explicação, ela simplesmente não tolera um gato. Depois de dar uns latidos ou, se puder, dar uma corrida atrás do bichano ela retorna tranquilamente sua caminhada, seu passeio, seja matinal seja vesperal.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Expandindo o Ego


Vi um gráfico delineando os Papéis primários exercidos pelos animais domésticos para o ser humano. Cada palavra criava uma imagem em minha mente. Tração, visualizei um cão esquimó puxando um trenó sobre o gelo; extensão dos sentidos, vi direitinho um cão guia conduzindo um cego. Ia tudo certo até que em saúde psicológica encontrei, extensão do ego, não me veio nenhuma imagem na cabeça. Corri para a internet.
Na página http://www.indepsi.cl/ferenczi/articulos/intro1.htm conheci os estudos de Sandor Ferenczi sobre “Transferência e Introjeção”. Leia isso: “Introjeção é a extensão ao mundo externo do interesse, pela introdução dos objetos exteriores na esfera do ego”. Ainda, “é essa união entre os objetos amados e nós mesmos, essa fusão desses objetos com o nosso ego, que designamos por introjeção”. Imaginei na hora aquele homem solitário em casa ou aquela mulher deprimida que não tem coragem de conversar com as vizinhas e que arranja um cãozinho. Aquele simples objeto vivo e afetuoso vai abrir o ego da pessoa, vai expandi-lo. Por causa do amigo cão ele (ela) vai conhecer o veterinário e conversar com a mulher do petshop. Vai sair na rua para passear, ver gente e comentar com outros donos de cães as graçinhas do seu. Vai expandir o seu ego. Pronto, entendi.

De lobo a Malu


Olhe o porte desta poodle. É a Malu. Tente imaginar, ela já foi uma loba. A pessoa que tem uma visão criacionista da Natureza fica chocada com esta afirmação, mas nada fica estável para sempre. O tempo e outras influências foram moldando todos os seres.
Estou lendo Comportamento Canino (um guia para veterinários), olha só o que ele diz: “A estrutura social do lobo é a mais próxima entre os canídeos silvestres da do homem. Exatamente quando os seres humanos começaram a interagir com os lobos é difícil determinar. Alguns dos primeiros sítios de hominídeos com vestígios de canis lupus foram encontrados na China, datando de 500 mil anos atrás. No norte de Israel arqueólogos escavaram um túmulo que datava de 9.700 anos a.C que continha restos mortais de uma mulher idosa e seu cãozinho. Esta simbiose entre os lobos e os humanos foi selecionando características físicas e comportamentais como: focinho mais curto, dentes menores, orelhas caídas ao invés de eretas, solicitação submissa de alimentos, anseio por brincadeiras, redução do territorialismo e aumento da procura de contato”.
Foi assim que um feroz lobo malvado virou uma adorável Malu.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Um nome faz o homem, e uma poodle


O veterinário Ricardo me emprestou um livro que vai me ensinar muito sobre minha amiga Malu. Logo de cara diz que nome do cão revela muito sobre sua personalidade que é muito influenciada pelos donos. Um cachorro chamado Sadam ou Killer, já se imagina o que fizeram do animal. Mas quando ele tem um nome próprio de alguém estimado isto indica que é considerado membro da família e que se espera dele ou dela um comportamento que nos lembre o "homenageado". Me parece que o nome da poodle bem negra foi dado por minha neta Pâmela e passei a lidar com Malu como se fosse aquela personagem da TV, independente e com vontade própria.

Limpando tártaros


Malu já está com seis anos e meio. Infelizmente já é uma fêmea de meia idade. Como mastiga ossos profiláticos e come boas rações só agora o veterinário Ricardo procedeu a retirada de tártaros. Na véspera, comentando com uma vizinha, Lili ouviu diversos casos escabrosos envolvendo este procedimento. Assim, quando sai com Malu ouvi repetidas recomendações de não abandonar o lado dela por motivo algum, nem ficar desatento lendo algum livro. "Não deixe maltratar a minha Malu". A coisa estava neste pé. Mas o experiente profissional e esforçado ciclista de mountain bike, como eu, acalmou a paciente e aplicou as injeções anestésicas junto com o soro. Logo a ansiosa Malu dormia profundamente e o doutor usava os sempre amedrontadores ferros de boticário para deixar os belos dentes caninos bem brancos. A menina, já acordada, precisou sair no colo pois não se aguentava nas pernas. Passou o dia todo dormindo e acordando irritada com qualquer barulho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Modelito básico



Andar vestida é uma marca da Malu. Às vezes alguma bisbilhoteira sisma de dar opinião: pobresinha, vestida com um calor desses! Malu, na rua, está sempre vestida. No frio com uma roupa de tecido mais quente, no verão com uma bem leve. Ela é tremendamente ciumenta com seus modelitos. Tente tirá-lo dela! Em casa, nestes dias de canícula (sem trodilho, por favor), na frente do ventilador, ela fica pelada (com trocadilho, por favor). Mas diga com sinceridade, ela não fica bonita de roupinha?!

Caçando Calango



O calango, gosta de tomar sol nas pedras. Réptil, não possuíndo um sistema regulador de aquecimento corporal precisa lagartear na solina destas tardes quentes. É em entardeceres assim que Malu sai na rua toda feliz. Dá uma rápida olhada para trás se certificando de que estou na cola dela e bate perninhas para a igreja. Chegando lá procura os calangos com toda determinação. Quando se depara com algum os dois partem em desabalada carreira. Ele entra na primeira fresta que encontra, e ela, depois de ficar vigiando a toca por alguns instantes, sai procurando outros calangos. Esta é uma das diversões da Malu.

domingo, 15 de novembro de 2009

Um olfato apurado


Temos cinco sentidos e os usamos equilibradamente, mas a poodle Malu, como os de sua espécie, incrementaram o olfato. Quando ela para, aproxima o focinho de um ponto qualquer e cheira, não percebe só se é urina ou carne ou uma reles banana. Ela consegue identificar num poste cinco ou seis cheiros diferentes de urina. Se já cheirou e viu quem fez a urina, isto está gravado no seu cérebro e quando ela inspira aqueles diversos odores se está ali no meio o de um cão conhecido, como Pituti, Kenso ou “cachorro amarelo” ela pode vê-lo na imaginação, tal qual ele estivesse ali. Não é coisa fácil para o inteligente ser humano, inclusive eu. Uma vez visitando o amigo Gerson que faz terapia holística ele me colocou num canto de seu sítio com o chão coberto de pedras redondinhas de rio e, em toda volta, estantes com vasos de ervas. Pediu para arrancar uma folha, esmagar entre os dedos e cheirar profundamente. Não é que me veio a mente cheiros da infância e junto com eles emoções que senti na época. Ah se a gente tivesse mais tempo para se entender melhor ao invés de só ajuntar coisas e participar das obrigações da sociedade!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Malu, a buguesinha


Malu é uma poodle burguesa. Quero dizer que ela cultiva hábitos, gosta de seguir os mesmos caminhos e de manter opiniões. Por exemplo, o cachorro todo arrepiado que mora duas ruas abaixo é um brigão e só serve para quebrar pau, nunca será um amigo tranquilo. Não quer dizer com isto que não seja curiosa, seja apática e não queira descobrir coisas novas. Ela não pode ver um portão aberto que não entre atenta, observadora, mas sempre me olhando de soslaio pedindo para avisá-la de algum perigo, afinal sou mais alto posso ver mais coisas. Então, lá vai ela, cheirando tudo olhando cada detalhe, mas evitando mudanças de opinião. É uma burguesa.

Sempre vigilante


Ela tem o porte natural dos cães de sua raça. Em especial quando para de andar investigando alguma coisa. Ergue a cabeça olhando de cima o que quer que lhe tenha chamado a atenção e levanta o focinho fino empinando o rabo curto. Às vezes não vejo o que lhe chamou atenção, procuro detidamente um cachorro ou uma pessoa e nada. Depois de ficar assim, tensa, ela volta o rosto para mim e seus olhos da cor do mel parecem me dizer: fique tranquilo, já passou, podemos ir. E anda cheirando tudo, se certificando de que é feito o objeto, quem passou ali deixando seu aroma, se já sentiu aquele cheiro ou é novidade. Andar com Malu tem muita graça quando se está atento a suas reações. Todos os institutos de uma caçadora de pássaros.