sábado, 30 de janeiro de 2010

Malu passeia comigo duas vezes ao dia


cedinho de manhã e à tardezinha. Primeiro para fazermos exercício, depois para espairecer (sair de dentro de casa) e ela fazer suas necessidades. O primeiro xixi é abundante, mas ela sempre guarda algum para marcar um poste (apesar de fêmea ela levanta a perninha como se fosse um macho) ou alguma sujeira na rua. Então, depois de andarmos um bocado, olhar tudo, cheirar bastante, perseguir calango e correr atrás de passarinhos ela se digna a dar uma voltinha, se agachar e fazer a eca. Minha filha Márcia, um dia desses, trouxe como presente para Malu um porta saco de papel em forma de osso e para se carregar preso ao cinto. Mas além de ser muito “fresco” é plástico, mais plástico na natureza. Dispensei. Gosto mais de pegar uma folha de amendoeira ao acaso e quando ela faz a eca eu pego e coloco em algum saco de lixo da vizinhança. Missão cumprida, podemos voltar pra casa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bater é uma boa disciplina?


Há 60 anos era. Meu pai entendia que uma boa surra na bunda, com a mão ou chinelo, era uma correção de rumo excepcional para um jovem muito irrequieto. Dos meus filhos só Márcia Regina e Raniere levaram tapas dos quais me arrependo. Bater nos netos então, nem pensar. Os tempos são outros. Mas e em Malu?
No subtítulo Uso de Punição e Recompensa o livro Comportamento Canino, diz: "A dor como um tapa, pode não desconcertar um rottweiler, pode ser demasiadamente severa para um poodle, e provocaria uma agressão de um boston terrier. A intensidade da punição em relação ao indivíduo e à motivação é tão importante quanto a oportunidade de sua aplicação. Deve ser suficientemente forte para ser considerada punição por parte do cão, mas não deve ser tão forte que seja excessiva ou perigosa".
Malu passeia na rua sem coleira e tem uns velhos instintos que por falta de treinamento ela insiste em repetir: como cheirar um coisa no chão e dar uma lambidinha. É num zas. Eu digo: vai ganhar um tapa na bunda! Ato contínuo ela senta com a cabeça abaixada. Levanto-a e aplico o tapa. Ela apoia as patas na minha perna e me lambe a mão (com a mesma língua que lambeu uma coisa suja) pedindo desculpa ou que a nossa amizade nunca se acabe. Mas ela vai repetir o mau feito, acho que tapa na bunda também não adianta nos cães.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um cão sem amigo


O cão foi o primeiro animal domesticado. É o melhor amigo do homem porque foi o primeiro a nos acompanhar nas caçadas, quem nos ouvia quando naquele mundo primitivo ficávamos sozinhos na escuridão ou diante das labaredas da fogueira. Foi nossa atenção e companheirismo que o modificou, que abrandou sua ferocidade de lobo, e foram nossas necessidades que moldaram sua forma física. O bruto amansou, seus modos de leão se tornaram brandos como os do carneiro. Mas um cão sem carinho pode se embrutecer.
O livro Comportamento Canino fala de um triste estereótipo de um cão que não tem um amigo homem. É uma compulsão que dá dó de se ver. Ele anda sem parar numa pequena área. Marcha de um canto ao outro com um andar obsessivo. Chegando ao canto vira primeiro a cabeça e o corpo segue nesta outra direção sem descanso. O dono ou outro infeliz talvez lhe dê um pontapé gritando: sai da minha frente cachorro estúpido. Os professores de veterinária dizem que esta mania é uma forma que o amigo do homem, mas sem amigo, encontra para acalmar sua ansiedade por amizade.
Você pode dizer que é frescura, que o cão é só um bicho. Homem de pouca fé, não, homem ou mulher pobre de espírito, não devias ter um cão. Podes dizer que só queres um guarda para tomar conta de tua casa e de tua vida, mas lembres que este instinto foi implantado nele quando o trouxemos para viver conosco, compartir nossa vida e não para ficar jogado no quintal. Se é teu cuide dele. Malu é um cão, mas muito amiga minha. (foto do amigo Fabiano)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poodle vê imagens na TV?


É uma coisa boa, final do dia, pernas cansadas, sentar para ver um programa útil na televisão. Melhor ainda quando Malu pula no sofá e fica deitada bem colada a minha cocha enquanto a abraço. Se me curvo e olho para a cara dela, sem levantar a cabeça ela ergue os olhos de um jeito bem engraçado mostrando um pouco do branco dos olhos que sua iris muito grande poucas vezes me deixa ver. De outras vezes ela não me olha parecendo entretida com a TV. Mas será que ela vê as imagens?
O livro Comportamento Canino me ensinou que as imagens se formam na tela na velocidade compatível com a visão humana, 60 quadros por segundo. Mas experiências em universidades veterinárias comprovaram que o cão vê cerca de 80 q/seg, assim ele percebe as imagens sempre incompletas. Como nas antigas TVs com defeito que a imagem ficava pela metade. Quem aguenta ver TV assim? Malu prefere tirar um cochilo bem agarrada comigo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Época de trovoadas.


Cada verão é um martírio para Malu, e olha que ela já viveu seis! Quando o relâmpago, à noite, clareia tudo com aquela luz azulada, ela se enrosca num canto esperando o trovão que não tarda. E fica sempre perto da gente nos acompanhando por onde andamos na casa. É um comportamento.
O livro Comportamento Canino ensina uma maneira de ajudar nosso melhor amigo. A técnica se chama dessensibilização. Lili vai colocar várias vezes um cd com sons da natureza que repete uma tempestade com muitos trovões, mas bem baixinho. A idéia é fazê-la acostumar-se ao ruido. Outro dia, aumenta bem o som e começa uma brincadeira que Malu gosta, como "pegar nenzinha bonita" (uma bonequinha de borracha). Distraida ela vai ouvir o som que a apavora sem se encolher. É igual ao que acontece com o ciclista que sobe uma ladeira forte entretido numa conversa boa com um colega, não fica cansado.
Ter um companheiro animal não é ter um objeto bonitinho, é ter mais um trabalho, ou melhor, uma distração trabalhosa na vida. E só nos faz bem.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Atenção, afago e carinho

qualquer ser vivo precisa destes três cuidados, nós mesmos temos estas necessidades. Nos esforçamos para nos doar, ao mesmo tempo em que satisfazemos nossas vontades. Quando é que a balança se desequilibra? Como nos tocar de que estamos amando mais a nós mesmos do que ao próximo? Se a próxima for Malu não tenha dúvida, ela avisa logo. Na tarde desta foto lia uma revista todo satisfeito quando ela achou que eu estava em débito com o tempo dedicado a ela. Simplesmente deitou sobre ela como se dissesse: agora quero sua atenção, afago e carinho. Não tenha vergonha, peça sua parte também.