sábado, 4 de dezembro de 2010

Malu e as minhocas

Andando com Malu hoje de manhã vi uma minhoca deslizando com muita dificuldade pelo asfalto. Chamei Malu que veio, cheirou a pequena lombriga e foi ver outras coisas. Peguei a minhoca e joguei-a no quintal de um vizinho. Não dei três passos achei outra. Quando me abaixava deparei com outra se contorcendo e logo a frente mais outra. Resultado, salvei oito minhocas hoje de manhã; fiz minha boa ação do dia. Umas outras duas já estavam esmigalhadas por automóveis. Que invasão de minhocas é esta?
Entrei o Google e no único site que falava disso – uma mulher se queixava que deu para aparecer minhoca por tudo o que é canto da casa - um cara comentou: É minhoca mesmo? Não seria lagarta ou qualquer outra porra não? “Minhoca é tenso, não sabia que elas saiam para peregrinar fora da terra”.
Bem, ontem a noite choveu muito, a terra ficou encharcada e as minhocas saíram procurando um chão menos alagado. Deve ter sido isso. Mas o restante do passeio foi normal, até muito quieto. Nenhum cachorro tinha saído de casa para os jardins e Malu achou o passeio muito sem sal. Malu é uma menina esperta que adora uma boa discussão de manhã. Fica pra de tarde.

sábado, 11 de setembro de 2010

Ninguém gosta de ficar só quando está a fim de companhia.


Malu sente prazer em ficar quieta, longe de todo mundo, mas só em alguns momentos do dia. Às vezes dão-se desencontros como quando a quero sentada a meu lado vendo tv e ela prefere estar deitada no colchonete no seu cantinho. Mas ela detesta ficar em casa sozinha. Assim, quando saímos a Lili liga o rádio baixinho e eu falo: Malu, toma conta da casa da Lili. Também prometemos trazer "uma coisa boa" que pode ser iscas de bife, ossos de frango (que ela tritura com paixão) ou pedacinhos de queijo de casa mesmo. Se ela entender que foi desprestigiada começa a morder furiosamente (se bem que de leve) os pés. Billy, um poodle branco colega dela foi deixado sozinho muitas horas e acabou arrancando tufos de pelo do quarto esquerdo que meses depois ainda não voltaram a crescer. É bom ver nosso animal de estimação despreocupado e sem estresse. Ninguém gosta de ser dixado só.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Como é que um cão fica tão parecido com seu dono?

Quando Malu sai na rua comigo andando sossegadamente ela está sempre a cata de alguma novidade como um portão aberto que franqueia um jardim que ela não conhece. Então ela entra olhando cada cantinho e cheirando a procura de seres estranhos que tenham passado por ali. Não é igual a mim? Que quando saio de bicicleta pelas estradas fico só de olho em algum caminho à direita ou à esquerda que se perde numa curva lá na frente prometendo me levar a destinos misteriosos e excitantes.
Ou então, Malu pára em frente de cada casa onde mora um cão amigo ou briguento, brigão de preferência. Ela encosta-se ao portão e olha para mim, já sei, ela quer que eu assobie chamando-o. E fica toda alegre, balançando o rabinho, quando o amigo aparece, ou se põe de rabo em riste correndo para lá e para cá em frente a grade da casa enquanto o brigão a acompanha neste jogo de força. É bem verdade que não saio na rua procurando briga, mas gosto de brincar com o pessoal da padaria ou do mercado num jogo bem parecido com o dela.
Então é assim, tal dono tal Malu.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Meias preta da Malu


Entre os charmes de Malu estão suas meinhas pretas contrastando com sua pelagem cinza. Mas o veterinário Ricardo, enquanto pedalávamos por dentro de uma mata, tirou a magia das polainas pretas explicando que o que escurece o pêlo dos pés de Malu é sua saliva, por ela estar sempre os lambendo. Este comportamento é não só uma forma de aliviar ansiedade como uma reação ao constante estado alérgico dela. Malu é fortemente atópica (alérgica por inalação) grande parte por causa de sua vida confinada dentro de casa lidando com todos produtos químicos de limpeza que cercam nossa vida moderna. E olha que ela sai comigo todos os dias, pela manhã e pela tarde, chova ou faça sol, o que lhe deve ter dado bastante imunidade.
Mas esta explicação científica não empana a beleza das meinhas pretas de Malu.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Malu adora um osso.


Para um humano este verbo é forte e devia se aplicar só a Deus, nunca à batata frita. Mas para um ser canino, ainda mais Malu, um ossinho de galinha é tão bom que não tem outro verbo que exprima melhor o que ela sente. Eu sei, já ouvi dezenas de donos de cão me avisar que uma farpa pode furar o intestino ou que um pedaço pode ficar entalado na garganta. Lili, que me conhece, apela logo para minha parte mais sensível - diz ela que não é meu coração, não -, meu bolso: você vai gastar um dinheirão com o veterinário! Mas não tem jeito. Conheço minha poodle. Se ela ficar sem um ossinho para triturar nos dentes fortes vai ficar doente, deprimida, pode até desistir de viver. E ela sabe papar um ossinho, faz isto desde pequena, é uma esperte no assunto. E como dizia minha mãe (que Deus a tenha): Mais vale um bocado que a fortuna.
Então, já estou levando um saquinho com ossos que recolhi com os colegas de pedalada no almoço. Abro a porta de casa e já vou gritando: Malu, trouxe coisa boa!
(na foto ela está roendo um osso que limpa os tártaros dos dentes e é muito gostoso, pra ela)

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Copa acabou


A copa do mundo foi uma festa enquanto durou, até Malu curtiu as diferenças no dia a dia. Primeiro, porque ela ganhou uma bela camisa da seleção mesmo antes de começar os jogos. Depois, ela gostava muito de ficar na janela vendo o vento balançar as bandeirinhas que enfeitavam a rua. Só não gostava muito de ter de sair de casa com o pessoal comemorando, soltando bombas e tocando vuvuzelas. Ontem peguei ela pensativa na poltrona, parecia dizer: Sabe de uma coisa, foi bom a copa ter acabado mais cedo, muita festa cansa a minha beleza e atrapalha o meu soninho. E fechou os olhos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Amando viver


Em uma esquina de Agostinho Porto, na Baixada fluminense, vi do outro lado da rua um cachorro magro, de pelo russo desigual, mancando com esforço. A mão direita quebrada o obrigava a tomar impulso com a esquerda e assim, claudicando, avançava trôpego.
Pensei, na hora, em todos os seres vivos que sobrevivem com alguma deficiência e me perguntei: vale a pena viver assim? Será a vida um dom tão maravilhoso que compense uma existência sacrificada? Este pessimismo tem razão de ser, porque nós, que temos um corpo eficiente, tantas vezes nos queixamos ou desistimos de avançar. A existência parece, a estes, só um fardo. E lá estava o magrelo de rabo de rato prosseguindo aos arrancos, queria viver a qualquer custo.
Na esquina oposta parou e abanou o rabo para um homem que parara ali com uma bicicleta de carga. Vi o sujeito falar alguma coisa com uma mulata magra que numa barranca pegava apostas para o jogo do bicho. Vi a cena mas não despregava os olhos do vira-lata, que adotava uma postura de total submissão, como a implorar um pouco de atenção que não fosse um maltrato e, se não fosse pedir muito, um pouco de comida. Deixei minha mala de trabalho na parada e olhei numa mercearia se tinha ração pra vender. Não tinha. O homem da bicicleta foi embora, a mulata se afastou e o cão a seguiu claudicando. Não podia ficar alheio, o trabalho que ficasse pra depois. Atravessei a rua e a chamei: oi, como é que posso dar uma ração para esse cão?
Sabe os jornais, os da TV e os da banca que só falam de gente ruim e suas maldades?, eles nos levam a pensar que todo mundo é bandido, gente ruim e que o mundo está perdido. Mas na vida o que geralmente encontramos são muitas almas boas.
Ela me respondeu: ele apareceu há alguns dias e agora fica por aqui, dorme na minha barraca, dou ração e até um remédio. Só não levo para casa porque já tenho dois lá que me dão um trabalhão.
Olhei-o novamente, tinha a atenção voltada para a mulher, ouvindo suas palavras embevecido, era quase adoração. Elogiei-a e disse como a atitude de comiseração dela apaziguou a minha alma.
Aquele sofredor, enfim, encontrou ajuda. Ia continuar mancando, jamais seria um cão normal, mas tendo encontrado um apoio, atenção, podia suportar melhor seu fardo. Pensei também na sorte da Malu e de todos nós que levamos uma vida sem sofrimentos sérios. Quanto temos de agradecer à Deus ter-nos permitido uma missão mais fácil.
Então, fui cuidar da minha vida.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Há um lugar que gosto de ir


e que Malu se diverte muito, a APAE de Volta Redonda. Aproveito e levo o carro cheio de recicláveis que a associação vende e faz dinheiro. Em um quintal amplo, onde além das construções tem uma horta grande e uma área com mata, Malu corre, procura bichos e sente cheiros estranhos. Mas o melhor é o bom astral do lugar. As crianças com síndrome de Dowm ou com retardo cerebral são alegres e se aproximam dela temerosos mas felizes e ela deixa que passem as mãos em seu cabelo encaracolado e macio.
Em todos os tempos estas pessoas excepcionais, ao invés de ser triste eram inocentemente alegres e faziam os outros rir.
Por isto eu e Malu aguardamos ansiosos o dia de levar reciclados à APAE.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Atacando um estranho

O comportamento canino é imprevisível, mesmo quando se conhece bem o animal como conheço Malu, pois saimos juntos pelas ruas todos os dias há 6 anos, e fico sempre atento a suas reações, vontades e apreensões. Aprendi a antecipar suas ações observando posturas que ela adota. Mas nesta manhã fui surpreendido. Caminhávamos por uma rua de pouco movimento quando ela, ao longe, viu um cão pequeno e novo andando para lá e para cá. Nunca o tínhamos visto. Estava perto de um carro com um pessoal, provavelmente estava solto ali enquanto seus donos conversavam. Malu veio se aproximando devagar, um movimento que significa cautela, mas também indica domínio de território. Bem perto ela parou e o cãozinho se aproximou tímido, cheirou-a e se afastou. Foi aí que me enganei, pensei que Malu tendo permitido sua aproximação o havia aceito. Não, ela achou o maior abuzo: o cãozinho jovem e confiado, estranho e se achando, precisava de uma repreensão. E partiu para o ataque.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Malu está no cio.



Isto é uma complicação. Neste transe ela tem de usar calcinha com absorvente. Descobri que o melhor é o teen, para meninas que começam a menstruar. A dona do petshop disse: Agora vejam, o sr. precisando comprar modess! Pois é, mas sem estar vestida ela sujaria cobertas de cama e sofás. Não pode ficar descoberta.
Desta vez, mais velha, ela aprendeu a controlar a micção da madrugada, porém ao acordar cedo minha primeira tarefa é levá-la a rua. Como ela é muito ciumenta de suas coisas, tirar a calcinha tem de seguir um ritual rápido para evitar uma mordida não intencional. Como é pequena e pesa só 10 kg, abraço-a e a levanto com o braço esquerdo enquanto arranco sua roupa de baixo com a mão direita. Ela a cheira e saimos para o passeio e as necessidades.
Ainda assim, mesmo nos dando tanto trabalho, não compreendo certas pessoas. No mercado encontrei um casal que tem uma poodle que a tempo não vejo quando passamos em frente a casa deles. Perguntei: Cadê a menina de vocês? A mulher disse curta e grossa: Dei, dava muito trabalho.

sábado, 24 de abril de 2010

Viveu como escolheu


Pitute foi embora. Nunca mais vamos vê-lo subindo a rua mancando de uma perna, o pêlo desgrenhado e já meio branco. Pitute era um senhor, um cão maduro, bem vivido, arruaceiro e boêmio; um garanhão que fazia ponto em frente à casa de todas as cadelas no cio no raio de uns dois quilômetros. Nunca teve juízo, era brigão e adorava andar pela rua livre e solto. Sua grande devoção era para com seu dono, mas o que amava mesmo era a liberdade. Muitas vezes ficou de vigia no nosso portão quando Malu estava no cio, e era um Don Juan implacável, mas fora dessa época era um colega que a defendia quando um cachorro vadio se aproximava com muita intimidade. Pitute terminou sua vida da maneira que escolheu viver, sem meias medidas, nunca esperando uma velhice tranqüila e cheia de dores. Entregou sua alma depois de uma luta violenta com um cão muito maior para ganhar uma dama.
Quando o via fazendo ponto diante de um portão ou chegando à casa de manhãzinha, coçava sua cabeça e o olhava com admiração e dizia pra ele: Se não fosse por tantas obrigações e responsabilidades queria ser como você, Pitute, sem lenço e sem documento. Fique em paz, saudoso Pitute.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Encarando um estranho


Dan Brown é um escritor de sucesso porque mistura com genialidade informação maçante com ficção cheia de correria e violência, como em Código da Vince.
Este é um paradoxo, vivemos evitando a violência, buscando a paz com nossos semelhantes, mas na ficção amamos os tapas, tiros e o terror.
Mesmo os animais evitam a violência. Quando ando na rua com Malu e encontramos um cão desconhecido ela adota uma postura estranha. Pára, olha-o fixamente, e começa a levantar a cabeça vagarosamente até olhá-lo de cima, mesmo ele sendo maior do que ela.
No livro Comportamento Canino achei a explicação: "A postura de cabeça erguida dá ao cão uma aparência maior do que realmente é e com isto ele espera impressionar o oponente e se ver livre de um confronto".
Assim, ao invés de partir para a briga Malu tenta um acordo, sua postura dizendo: sou pequena mas posso ficar bem grande e te dar uma surra, se você, seu cachorro fedorento, chegar um tantinho mais perto de mim e do Adal. Chispa!
Bem, ela é meio agressiva mesmo, mas quem não é?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Os Vira-latas


Malu deve ter uma vaga idéia do que seja um cachorro de rua e reage a presença deles ora botando-os para correr ora se aproximando para cheirar. Como ela anda solta ao meu lado preciso estar sempre ligado pois na gana da perseguição pode atravessar uma rua movimentada.
Muito ciumenta ela me acompanhou atenta no dia que levei um pouco de ração (não a dela que é cara e especial) e água para um vira-lata que se abrigou sob uma marquise. Alguns desses cães levam esta vida vagabunda por terem fugido de casa, mas a maioria é formada por animais abandonados. E sofrem muito, por maus tratos e doenças. Algumas vezes Malu pára olhando um deles como se refletisse em suas dores.

domingo, 7 de março de 2010

Malu não engorda


Malu tem 10 kg há muito tempo. Quer dizer, não engorda. O veterinário Bonnie Beaver diz que 45% dos cães são obesos e especifica as razões: a maior parte é de cadelas ovário-histerectomizadas, com mais de 6 anos, que praticam pouco ou nenhum exercício, vivem em casas onde os proprietários são obesos e tem mais de 40 anos, e que recebem, além da ração, petiscos e sobras de refeições humanas.
Ele ensina outra coisa: “Como os cães evoluíram dos lobos, retiveram muitos dos comportamentos de seu ancestral, incluindo uma resposta fisiológica ao padrão fome ou banquete”. Quer dizer, o organismo ainda transforma muito do que o cão ingere em gordura para que nos tempos de falta de alimento o animal tenha reservas para continuar vivendo. Comendo duas vezes ao dia, alimentos ricos em calorias, o cão só engorda.
Não vou negar que além da ração dou petiscos a Malu. Quando estou tomando o café da manhã passo um pouco de manteiga em pão integral, corto em pedacinhos e ponho na frente dela que geralmente está deitada ao lado de minha cadeira. Por que faço isto? No livro Comportamento Canino o Dr. Bonnie diz: “Os proprietários gostam de recompensar seus cães mesmo que seja por alguma coisa tão simples como estar lhe fazendo companhia, mas em vez de alimentos as recompensas podem ser elogios verbais, carinho ou brincadeira com brinquedo”.
Bem, o fato é que Malu não engorda e acho que tem muito a ver com as caminhadas que damos duas vezes ao dia e brincadeiras que incluem muita correria. Não quero minha amiga obesa.

sábado, 6 de março de 2010

A coelha Malu


Você ainda não conhece a coelha Malu, mas é assim que chamo minha poodle quando ela tira o passeio para comer talos de capim. Sua dentição não foi feita...ou melhor dizendo, os canídeos não se desenvolveram para ocupar o lugar dos herbívoros, e sim para controlar sua população. Assim seus dentes servem para rasgar, arrancar e e cortar carne, com força bastante para quebrar ossos. Vê-la tentando cortar um folha de grama chega dar ansiedade na gente. Então, me abaixo do lado dela, passo a cortar pedacinhos e dou-lhe de comer. Mas por que Malu precisa comer erva? O livro Comportamento Canino explica:
"A ingestão de capim representa um comportamento normal. Os lobos devoram suas presas pela barriga, as víceras são a porção favorita. O conteúdo abdominal tem material vegetal parcialmente digerido. Os carnívoros não possuem nos intestinos a capacidade de transformar a celulose em glicose, assim não conseguem digerir este material que atua como irritante gastrointestinal até que o cão o vomite ou o elimine nas fezes".
Aí está a resposta: quando se come uma refeição gordurosa e nos sentimos mal o que fazemos? Isso, dedo na garganta para "chamar o raul". Como um cão não pode colocar o dedo na garganta aprendeu por tentativas, e durante gerações, a comer capim para vomitar. E tenho dito.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Malu é quieta e paciente


mas sabe pedir o que quer. Ontem a noite, depois de passearmos na rua, - mais cedo, por causa da trovoada de todas as tardes - via o jornal da TV quando ela ficou de pé mexendo na cestinha de brinquedos. Mostrei para Lili o esforço que ela fazia para pegar um deles - já coloquei a cesta mais embaixo. Levantei e peguei o "Lherudo", um cachorrinho de borracha com duas orelhas que parecem asas. Começamos a jogar: eu jogo pra sala, ela pega, tomo dela, jogo no corredor, ela corre atrás e vamos assim até ela pegar de jeito e fugir para debaixo da cama. Game over.
Mais tarde ela chega em nosso quarto e fica de pé na cômoda, pergunto: o que é agora, garota? Ela me olha e late. Levanto-me e vou olhar, é o osso verde, uma mistura dura que é o pirulito de roer dela.
Finalmente durmo para acordar às cinco e meia. Dormimos todos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Enfrentando o inimigo


Dan Brown é um escritor de sucesso porque mistura com genialidade informação maçante com ficção cheia de correria e violência, como em Código Da Vince.
Este é um paradoxo, vivemos evitando a violência, buscando a paz com nossos semelhantes, mas na ficção amamos os tapas, tiros e o terror.
Mesmo os animais evitam a violência. Quando ando na rua com Malu e encontramos um cão desconhecido e maior ela adota uma postura estranha. Pára, olha-o fixamente, e começa a levantar a cabeça vagarosamente até olhá-lo de cima, mesmo ele sendo maior do que ela.
No livro Comportamento Canino achei a explicação: "Os sinais corporais que tendem a diminuir uma ameaça são classificados como sinais redutores de distância. A exibição de submissão ajuda a deter ou atenuar uma agressão por parte de um cão dominante. Ela representa um esforço por parte de um animal de classificação inferior para obter uma integração social harmônica e supõe que o indivíduo de classificação superior responderá apropriadamente. Já as posturas corporais que parecem aumentar o tamanho de um indivíduo por meio de uma ilusão de ótica se destinam a emitir uma mensagem de 'vá embora'. Os sinais progridem em uma escala gradual. Primeiro um contato ocular direto com pálpebras bem abertas, é o fitamento. Depois, a cabeça, o pescoço e as orelhas são elevados para dar uma ilusão de que o cão é maior. A piloereção sobre os ombros e a garupa também cria um aumento súbito enganoso na altura. A cauda é mantida na vertical. A boca exibe os sinais seguintes quando os lábios são puxados para trás nos cantos e emite um rosnado. O propósito primário dessa exibição evoluiu do comportamento lupino que se destinava a inibir lutas até a morte".
Assim, ao invés de partir para a briga Malu tenta um acordo, sua postura dizendo: sou pequena mas posso ficar bem grande e te dar uma surra se você, seu cachorro fedorento, chegar um tantinho mais perto de mim e do Adal. Chispa!
Bem, ela é meio agressiva mesmo, mas quem não é?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Interagindo com outras espécies


A interação com diversos animais é parte constante nos passeios de Malu. Quando saímos hoje, ainda escuro, ela encontra um gato. Fita-o interessada, ele resolve não se mover e ela se aproxima provocando nele uma reação de defesa. Tiro uma foto dos dois e o flash faz as plaquetas refletoras dos olhos dele brilharem como faróis.
Com o céu a Leste começando a desenhar suas primeiras cores, é hora dos pássaros iniciarem seus cantos e gorjeios. Cada alvorecer mais deles estão no chão bicando algum farelo. Ainda pequena Malu corria atrás deles provocando uma revoada. Agora, mais velha, não se importa com os bandos de pardais fazendo algazarra, de rolinhas agitadas ou de biquinhos empoleirados nas hastes de capim.
O céu esta manhã tem nuvens rosas em forma de longos tecidos estirados. Malu já esvaziou a bexiga e gastou o resto da urina marcando o que decidia precisar ter um sinal seu. Fez o cocô, que recolhi e joguei na caixa de lixo, e passamos na padaria. Ao atravessar a rua ela vê cachorros de rua brincando agressivos, para, olha para mim como dissesse: eles não têm jeito mesmo, e marchamos para o sossego de casa. A luz reina sobre a Terra. O Sol, ainda escondido, avisa que será outro dia com muito calor.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Malu passeia comigo duas vezes ao dia


cedinho de manhã e à tardezinha. Primeiro para fazermos exercício, depois para espairecer (sair de dentro de casa) e ela fazer suas necessidades. O primeiro xixi é abundante, mas ela sempre guarda algum para marcar um poste (apesar de fêmea ela levanta a perninha como se fosse um macho) ou alguma sujeira na rua. Então, depois de andarmos um bocado, olhar tudo, cheirar bastante, perseguir calango e correr atrás de passarinhos ela se digna a dar uma voltinha, se agachar e fazer a eca. Minha filha Márcia, um dia desses, trouxe como presente para Malu um porta saco de papel em forma de osso e para se carregar preso ao cinto. Mas além de ser muito “fresco” é plástico, mais plástico na natureza. Dispensei. Gosto mais de pegar uma folha de amendoeira ao acaso e quando ela faz a eca eu pego e coloco em algum saco de lixo da vizinhança. Missão cumprida, podemos voltar pra casa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bater é uma boa disciplina?


Há 60 anos era. Meu pai entendia que uma boa surra na bunda, com a mão ou chinelo, era uma correção de rumo excepcional para um jovem muito irrequieto. Dos meus filhos só Márcia Regina e Raniere levaram tapas dos quais me arrependo. Bater nos netos então, nem pensar. Os tempos são outros. Mas e em Malu?
No subtítulo Uso de Punição e Recompensa o livro Comportamento Canino, diz: "A dor como um tapa, pode não desconcertar um rottweiler, pode ser demasiadamente severa para um poodle, e provocaria uma agressão de um boston terrier. A intensidade da punição em relação ao indivíduo e à motivação é tão importante quanto a oportunidade de sua aplicação. Deve ser suficientemente forte para ser considerada punição por parte do cão, mas não deve ser tão forte que seja excessiva ou perigosa".
Malu passeia na rua sem coleira e tem uns velhos instintos que por falta de treinamento ela insiste em repetir: como cheirar um coisa no chão e dar uma lambidinha. É num zas. Eu digo: vai ganhar um tapa na bunda! Ato contínuo ela senta com a cabeça abaixada. Levanto-a e aplico o tapa. Ela apoia as patas na minha perna e me lambe a mão (com a mesma língua que lambeu uma coisa suja) pedindo desculpa ou que a nossa amizade nunca se acabe. Mas ela vai repetir o mau feito, acho que tapa na bunda também não adianta nos cães.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um cão sem amigo


O cão foi o primeiro animal domesticado. É o melhor amigo do homem porque foi o primeiro a nos acompanhar nas caçadas, quem nos ouvia quando naquele mundo primitivo ficávamos sozinhos na escuridão ou diante das labaredas da fogueira. Foi nossa atenção e companheirismo que o modificou, que abrandou sua ferocidade de lobo, e foram nossas necessidades que moldaram sua forma física. O bruto amansou, seus modos de leão se tornaram brandos como os do carneiro. Mas um cão sem carinho pode se embrutecer.
O livro Comportamento Canino fala de um triste estereótipo de um cão que não tem um amigo homem. É uma compulsão que dá dó de se ver. Ele anda sem parar numa pequena área. Marcha de um canto ao outro com um andar obsessivo. Chegando ao canto vira primeiro a cabeça e o corpo segue nesta outra direção sem descanso. O dono ou outro infeliz talvez lhe dê um pontapé gritando: sai da minha frente cachorro estúpido. Os professores de veterinária dizem que esta mania é uma forma que o amigo do homem, mas sem amigo, encontra para acalmar sua ansiedade por amizade.
Você pode dizer que é frescura, que o cão é só um bicho. Homem de pouca fé, não, homem ou mulher pobre de espírito, não devias ter um cão. Podes dizer que só queres um guarda para tomar conta de tua casa e de tua vida, mas lembres que este instinto foi implantado nele quando o trouxemos para viver conosco, compartir nossa vida e não para ficar jogado no quintal. Se é teu cuide dele. Malu é um cão, mas muito amiga minha. (foto do amigo Fabiano)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poodle vê imagens na TV?


É uma coisa boa, final do dia, pernas cansadas, sentar para ver um programa útil na televisão. Melhor ainda quando Malu pula no sofá e fica deitada bem colada a minha cocha enquanto a abraço. Se me curvo e olho para a cara dela, sem levantar a cabeça ela ergue os olhos de um jeito bem engraçado mostrando um pouco do branco dos olhos que sua iris muito grande poucas vezes me deixa ver. De outras vezes ela não me olha parecendo entretida com a TV. Mas será que ela vê as imagens?
O livro Comportamento Canino me ensinou que as imagens se formam na tela na velocidade compatível com a visão humana, 60 quadros por segundo. Mas experiências em universidades veterinárias comprovaram que o cão vê cerca de 80 q/seg, assim ele percebe as imagens sempre incompletas. Como nas antigas TVs com defeito que a imagem ficava pela metade. Quem aguenta ver TV assim? Malu prefere tirar um cochilo bem agarrada comigo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Época de trovoadas.


Cada verão é um martírio para Malu, e olha que ela já viveu seis! Quando o relâmpago, à noite, clareia tudo com aquela luz azulada, ela se enrosca num canto esperando o trovão que não tarda. E fica sempre perto da gente nos acompanhando por onde andamos na casa. É um comportamento.
O livro Comportamento Canino ensina uma maneira de ajudar nosso melhor amigo. A técnica se chama dessensibilização. Lili vai colocar várias vezes um cd com sons da natureza que repete uma tempestade com muitos trovões, mas bem baixinho. A idéia é fazê-la acostumar-se ao ruido. Outro dia, aumenta bem o som e começa uma brincadeira que Malu gosta, como "pegar nenzinha bonita" (uma bonequinha de borracha). Distraida ela vai ouvir o som que a apavora sem se encolher. É igual ao que acontece com o ciclista que sobe uma ladeira forte entretido numa conversa boa com um colega, não fica cansado.
Ter um companheiro animal não é ter um objeto bonitinho, é ter mais um trabalho, ou melhor, uma distração trabalhosa na vida. E só nos faz bem.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Atenção, afago e carinho

qualquer ser vivo precisa destes três cuidados, nós mesmos temos estas necessidades. Nos esforçamos para nos doar, ao mesmo tempo em que satisfazemos nossas vontades. Quando é que a balança se desequilibra? Como nos tocar de que estamos amando mais a nós mesmos do que ao próximo? Se a próxima for Malu não tenha dúvida, ela avisa logo. Na tarde desta foto lia uma revista todo satisfeito quando ela achou que eu estava em débito com o tempo dedicado a ela. Simplesmente deitou sobre ela como se dissesse: agora quero sua atenção, afago e carinho. Não tenha vergonha, peça sua parte também.